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Confidências...intemporais

Domingo, 13.01.08

Vejo-te em traços oblíquos, furiosos e certeiros. Dardejas esta janela, indiferente, a quem dela olha, para lá da tarde gelada, com que te fazes acompanhar...não me apanhaste desprevenida...esperava-te no teu vestido cinzento, adornado de pendentes e gotinhas cristalinas como as que me deixaste nas vidraças. Gosto de te sentir desse lado, mesmo sabendo-te fria e muitas vezes impiedosa...mas capaz de dar encanto e viço às flores.

És também uma alma inquieta que passeia saudades ou absorve tristezas...e se enternece...

a mesma alma que sinto, nestes velhos livros de alfarrabista, esquecidos e bolorentos...numa espera de mãos que os soltem e afaguem, lhes devolvam vida.

Já foram companhia de noites e dias, sonhos encantados...

perfume, alegria, liberdade...

lágrima, sorriso, suspiro, ansiedade ...vaguear de pensamentos...

foram dedicatória ao amor, à amizade...foram momentos

E esta chuva furiosa que não me deixa escutar o coração destes velhos companheiros...abranda um pouco essa alma, há outras com saudades de se verem.

Vou dar-lhes asas...despeço-me de ti.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"A doce flor, até aqui, fechada sobre si,protegendo-se do frio,entreabre-se

deixando antever suas cores...libertando o suave perfume que atrai

quem está à sua volta, concentrando em si atenção do sol

que num terno abraço, logo a aquece,fazendo-a feliz."

 

 

 

 

 

 

 

 

"Do amor Homem e Mulher espero que ainda possa aprender algumas coisas.

agora,do amor Mulher-Mulher posso-te dizer que, o que nos une é um amor

puro,sincero e atrevo-me a dizer Eterno. Continua a viver a tua vida com esse sorriso que encanta qualquer pessoa que se cruza na tua vida...!

 

 

 

 

 

Obs : 

Estas são algumas das dedicatórias  que encontro,em livros comprados,ainda nos velhos e saudosos alfarrabistas.Omiti nomes e datas. Há uma curiosidade em alguns, que tem a ver com o título do próprio livro que serve de mote à dedicatória .

Não desnudos confidências, antes , dou asas a memórias.. esquecidas,empedrenidas,abandonadas ...intemporais

 

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publicado por dolce_vita às 21:20


7 comentários

De angel a 13.01.2008 às 22:50

Olá Dolce..dá que pensar o que escreves-te...que imaginação..é por isso que gosto de aqui passar..sei que um bocadinho ausente..mas sabes que é sempre com gosto que volto..uma boa noite para ti..com muitos Sonhos...beijinhos muitos..

De dolce_vita a 14.01.2008 às 00:36

Boa noite Angel,é muito bom saber-te desse lado,independentemente da assiduídade com que visitas esta casa.Está sempre aberta.
Gostei de escrever este texto,até porque os livros são o meu maior "vicio",cada um deles tem um lugar muito especial em mim.Ainda hoje sinto saudades de um livro que emprestei e nunca mais o vi "O médico dos juncos".O que quis dizer hoje com o texto é que um livro tem alma e alimenta outras e uma dedicatória pode ser a frase que falta a uma história,a uma aventura...ou um outro final.
tem uma boa semana

De Estupefacta a 14.01.2008 às 22:13

Que saudades tenho de passear nos alfarrabistas.
Os livros reflectem o mais profundo das nossas vidas. O exemplo que nos deixaste é bem o espelho disso. Achei tão bonitas essas dedicatórias.
Um grande beijinho

De dolce_vita a 15.01.2008 às 23:26

Um livro é muitas vezes a única companhia...o que nos revela sonhos muias vezes,os nossos, o que põe nas suas folhas palavras que parecem nossas...a identificação com o que lemos é o que nos agarra afectivamente a um livro.
Obrigada por entraes nesta casa.
Rosa

De estreladosul a 14.01.2008 às 23:46



Um post bem conseguido, minha amiga.
Adorei. Quanto ao resto está tudo dito.

Uma linda semana

Bjinho amigo

Mario Rodrigues

De dolce_vita a 15.01.2008 às 23:28

Mário obrigada pela sua vissita.

Rosa

De Lua de Sol a 18.01.2008 às 13:05

Rosa, este post está delicioso... A sério!
Faz-me lembrar a minha madrinha, com quem sempre vivi até casar (vivi com ela, com o padrinho e com a minha avó) e que vejo todas as semanas... Hoje, ela já tem 86 anos. A minha madrinha sempre teve o hábito de escrever dedicatórias nos livros ou em qualquer prenda que ofereça (neste último caso, junta-lhe um pequeno cartão) e para o efeito escreve pequenos mimos personalizados ou até mesmo poemas ... Gosto tanto da dedicatória que ela escreveu no Livro do Pantagruel, quando o ofereceu à mãe dela... O livro ainda anda lá por casa...
E lá em casa há muitos livros de alfarrabistas com dedicatórias do princípio do século XX, da época em que ela frequentava o liceu...
Pronto, fizeste-me abrir o baú das letras...

Beijinho grande

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